Uma parte da resposta pode estar em algo que a balança nem sempre mostra: a gordura muda de lugar.
Uma revisão sobre composição corporal e menopausa descreve que, antes da menopausa, a gordura visceral representa aproximadamente 5–8% da gordura corporal total. Após a menopausa, estudos apontam valores em torno de 15–20%.
Isso NÃO significa que a mulher necessariamente triplicou seu percentual de gordura.
Significa que uma parcela maior dela pode passar a se concentrar ao redor dos órgãos, na região visceral — justamente a distribuição mais associada à resistência à insulina, inflamação, alterações do colesterol e maior risco cardiometabólico.
E essa mudança começa durante a própria transição.
No estudo longitudinal SWAN, que acompanhou mulheres ao longo da menopausa, a gordura visceral passou a aumentar durante essa fase; na população de referência, o crescimento foi de 6,24% ao ano, enquanto a gordura abdominal também acelerou.
É por isso que duas mulheres podem chegar à menopausa com pesos semelhantes e histórias cardiovasculares completamente diferentes.
E também por isso que olhar apenas para o peso ou para o IMC pode não ser suficiente.
Menopausa não significa que você terá um infarto.
Mas é uma janela importante para reavaliar pressão, colesterol, glicemia, composição corporal, gordura visceral, histórico familiar e o risco cardiovascular individual.
A menopausa é esperada.
O infarto não precisa ser.
Referências:
Kodoth V, Scaccia S, Aggarwal B. Women’s Health Reports. 2022.
Greendale GA et al. Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism. 2021.
| Dra Samira Sodré | Cardiologista | Obesidade | Cardiometabolismo | Prevenção de DCV | Telemedicina | Presencial Belo Horizonte | CRM 62959 | RQE 49.730